Pior seca no Mar de Minas em 12 anos

A represa de Furnas também chamade de "Mar de Minas" enfrenta a maior seca desde 2001. Um dos maiores lagos artificiais do mundo, a maior extensão de água em Minas Gerais com uma superfície de 1.406,26 Km² e mais de 3,000kms de perímetro está perigosamente esvaziando em media de 10 a 20 cm por dia, sendo que nesse mês de Novembro 2012 seu nível regresso para apenas 28% de cpacidade.

O secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Fausto Costa, explica sobre a abertura das comportas da barragem: “Elas foram abertas para atender ao abastecimento, mas isso, associado à falta de chuva, fez com que o nível da água caia cerca de 20 centímetros por dia. É realmente alarmante”. Os responsáveis insistem que não  há risco de falta de energia.

A situação já foi mais crítica: em 2001 a capacidade do Lago de Furnas caiu para 18% e em 1999 a hidrelétrica operou com 3,5% de seu volume total. Mas, além de movimentar as turbinas de Furnas, (responsável por 15% do abastecimento elétrico nacional), o lago alimenta o turismo e gera fontes de renda para vários empreendimentos na região Sul Mineira.
Com a baixa das águas, moradores, comerciantes e produtores dos 34 municípios banhados pelo lago, contam que os danos são pesados. Para os piscicultores são toneladas de peixes perdidos, pois falta água para a criação e os tanques ficam longe demais para os atender. Donos de hotéis, pousadas, resorts, restaurantes e bares no entorno do Lago de Furnas noticiam que os turistas desapareceram, computando uma baixa de 70% do turismo e, consequentemente, as pessoas que prestam serviços nessa área também ficam prejudicadas.

Será que a abertura das comportas da represa realmente precisava ser tão drástica? Liberaram água demais? Em 2012, não choveu tanto, mas a falta de chuva foi tão grande para esvaziar uma repressa com mais de 3.000 km de perímetro de 11 metros?
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi 58% mais acentuada. Em outubro de 2011, Furnas operou com 66,3% da capacidade. Procuradas pelo Programa 'Hoje em Dia', a Eletrobras e a ONS não comentaram o assunto.
Finalmente, há notícias de que para reabastecer o Lago artificial ao nível normal irá demorar de 2 a 3 anos (se chover bastante...).
O impacto econômico apenas começou a ser sentido, irá piorar antes de melhorar.

Perguntamos então: a Central Elétrica de Furnas não tem obrigação de manter um certo nível da represa, considerando que há 49 anos atrás inundou as terras de fazendeiros, pagando-lhes  baixa indenização, obrigando-os a adotarem novos ramos de sobrevivência como o turismo e a piscicultura, para depois retirar-lhes as águas e novamente serem obrigados a acharem outras fontes de renda?
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