João Bosco no Theatro Capitólio

João Bosco, Theatro Capitólio Varginha, turnê 40 Anos Depois João Bosco, Theatro Capitólio Varginha, turnê 40 Anos Depois Bruno Sappadina

Aconteceu no dia 10 de Dezembro 2016, um show que gostaria de chamar “histórico” de um dos melhores músicos, compositores e guitarristas Brasileiros. O tipo de artista que dá orgulho de ser Brasileiro, um tal talento excepcional que se destaca pelas suas habilidades musicais, tal como no violão como na voz. Uma alma tão solta que consegue cantar em vários registros, alternando tom, intonação, sincopação, e dominando incrivelmente a técnica de “scat” (In vocal jazz, scat singing is vocal improvisation with wordless vocables, nonsense syllables or without words at all. Scat singing is a difficult technique that requires singers with the ability to sing improvised melodies and rhythms using the voice as an instrument rather than a speaking medium./ Scat é uma técnica de canto criada por Louis Armstrong que consiste em cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e sílabas (por exemplo: «la dum ba dum pa»), como usado por cantores de jazz, os quais criam o equivalente de um solo instrumental apenas usando a voz.).
Além disso, suas harmonias e especialmente seus “voicings” (jeito de se tocar um grupo de notas pertencente a um acordo) são de uma riqueza e originalidade particular que dão às suas músicas um brilho, um realce individual que até poucos guitarristas conseguem duplicar com tanta habilidade e perfeição.

E ainda tem suas letras poéticas, bem boladas, sugestivas como é da essência da poesia, às vezes hilárias, como no caso da canção “A nível” , enfim letras de qualidade literária avançada.

Agora, pensar, elaborar, criar, gravar e produzir esse todo conjunto de letras e músicas já é tarefa pesada. Mas apresentar essas obras incríveis ao vivo com todo seu conteúdo artístico de maneira fresca, ingênua e cativante é tarefa de gigante. Naturalmente, João Bosco tem os melhores músicos do Brasil para ajudá-lo a entregar essas delícias musicais.  Desta vez, foram, o leal parceiro de longa data Kiko Freitas na bateria, que realmente assume todas as intrigadas, sutilidades, complexidades dos ritmos brasileiros, dando um apoio rítmico rico, com todas as variações pessoais improvisadas no momento da efetuação, também o baixista, Marcelo Saboya marcando os movimentos harmônicos e rítmicos estava dando apoio qualitativo ao líder da banda com seu baixo de 6 cordas, e finalmente para realçar e enriquecer ainda mais as músicas, Ricardo Silveira na guitarra elétrica enfatizou a perfeição nos espaços livres, realizando solos e efeitos dramáticos igual um pintor aperfeiçoando uma tela com detalhes complementares.

Enfim, foi um show de primeira, um que deixou a plateia primorosamente feliz, tão assim que a única pessoa que ouvi “reclamar” estava apontando que seus músculos zigomáticos estavam doendo de tanto sorrir de felicidade.

Se não for bastante, João Bosco ainda recebe seus fãs após o concerto e os dedica seus novos DVD com uma simpatia pouco encontrada e de uma gentileza que fala mais ainda sobre esse gênio musical, sua alma e sua “raison d’être”.

Pessoalmente, fico extremamente feliz ter tido a oportunidade de assistir a este show histórico que comemora os 40 anos de carreira do cantor, e ainda ter sido recebido e ter trocado umas palavras com indiscutivelmente, um dos maiores artistas do Brasil. Parabéns João Bosco, volte logo na nossa vizinhança.

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